Como, mas como é possível termos permitido a
entrada da Guiné Equatorial na CPLP?????
Hoje tenho vergonha de Portugal e da Lusofonia!!!!!
E li algures que esta adesão poderá ser positiva para a
melhoria dos direitos humanos neste país?
Pois, e o Pai Natal vive na Lapónia rodeado de pequenos
elfos e tem renas que voam….
Podem ter abolido a pena de morte mas a tortura
prosseguirá…
Basicamente é como se tivéssemos um Country Club com regras rígidas
que obrigam a que tenhamos de trajar de blazer e gravata quando frequentamos festas.
E deixámos o Sr. Obiang entrar apenas trajando cuecas….
Reproduzo notícia da Visão sobre este tema (é longa mas
vale a leitura):
Guiné Equatorial: Que país é este?
Um
pequeno país corrupto e torturador, mas rico em petróleo, onde nunca se falou
nem falará português, entrou hoje para a CPLP. Que país é este?
Quarta feira, 23 de Julho de 2014
João Dias Miguel
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Em
1968 um obscuro funcionário público, que falhara três vezes o exame de admissão
à carreira, subia ao poder, nas primeiras, e até agora únicas, eleições livres
alguma vez realizadas na Guiné Equatorial (GE), então um acidente da história
da colónia recém independente de Espanha. Francis Macias Nguema, um marxista
que, mesmo assim, não hesitava em chamar a Hitler o "salvador de
África", era um homem doente, perseguido por pesadelos, que tinha por
hábito fumar marijuana, beber iboga (com efeitos semelhantes aos do LSD) e
jantar sozinho com fantasmas, com quem conversava longamente. Ficou conhecido
como "o milagre único".
Reinou
durante onze anos, tendo distribuído cargos pelos seus familiares. Entre estes
estava um sobrinho, o tenente-coronel Teodoro Nguema Obiang, governador militar
da Ilha de Bioko e da capital, Malabo, bem como responsável pela famosa prisão
Playa Negra, onde eram encarcerados os opositores políticos. Aqui, um dos
divertimentos eram as "danças de sábado à noite", em que um
prisioneiro era obrigado a dançar à volta da fogueira durante horas, enquanto
cantava laudas ao ditador.
Quando
se cansava, era espancado com barras de metal incandescente, aquecidas nas
brasas. Segundo o historiador Randall Fegley, o atual presidente da GE, Teodoro
Nguema Obiang, dirigia, pessoalmente, muitos dos homicídios neste centro de
tortura. Mais. Teodoro era para Macias "aquilo que Heinrich Himmler era
para Adolfo Hitler".
O
Dachau e o Kuwait de África
O
regime era então conhecido como o "Dachau de África" e não foi sem
satisfação que o resto do mundo assistiu ao golpe de Estado que Obiang liderou
contra o seu tio, em 1979. Macias foi julgado e executado - mas por
"apenas" 157 assassínios que não implicavam nenhum dos golpistas.
Obiang foi recebido de braços abertos pela comunidade internacional, disposta a
esquecer o passado em prol de uma promessa de abertura. O rei Juan Carlos de
Espanha jantou em Malabo e, em 1981, o país recebeu até a visita de João Paulo
II.
Mas
a Guiné Equatorial continuou a aparecer nos relatórios das organizações
internacionais como um regime pária e ditatorial. Até meados dos anos 90, era
tido como um "narco Estado". O general brigadeiro Obiang foi
"reeleito", em 1982, 1989, 1996, 2002 e 2009, sempre com percentagens
superiores a 97% dos votos - em 2002, um círculo eleitoral conseguiu até
atribuir-lhe 103 por cento. Os velhos modos de fazer política não mudaram e
Obiang nomeou familiares diretos para os cargos mais importantes - filhos das
suas cinco mulheres e familiares próximos ocupam, até hoje, ministérios,
direções-gerais, rádios, cargos militares e grandes empresas, apropriando-se da
riqueza do Estado. Ao mesmo tempo, silencia opositores políticos, recorrendo à
tortura e a execuções.
Com
a descoberta de petróleo, em 1996, a cleptocrática oligarquia familiar torna-se
numa das dinastias mais ricas do mundo. O país começa a ser conhecido como o
"Kuwait de África" e as grandes petrolíferas mundiais - ExxonMobil,
Total, Repsol - instalam-se lá.
Obiang
é, hoje, um dos dez chefes de Estado mais ricos do planeta - e o ditador há
mais tempo no poder. Em 2011, ele tinha, só nos EUA, mais de 700 milhões de
dólares em contas pessoais e o seu filho favorito fazia planos para comprar um
iate por uns meros 360 milhões, o dobro do orçamento do país para a Educação. A
pena de morte está suspensa - condição exigida para que a GE pudesse entrar na
CPLP. Mas os opositores políticos continuam a ser presos e torturados e nenhum
mecanismo impede as execuções extrajudiciais. O dinheiro, esse, continua a
jorrar.
O
príncipe, o Rolls e os sapatos azuis
Poucas
histórias ilustram esta fantástica riqueza como a de "Teodorin"
Obiang, o diminutivo pelo qual é conhecido o ex-ministro das Florestas,
vice-presidente e herdeiro do regime. A sua riqueza é conhecida por causa dos
processos que lhe foram interpostos na justiça dos EUA, de França e de Espanha,
por lavagem de dinheiro e corrupção.
Trata-se
de um playboy excêntrico, que gosta de se apresentar como "príncipe",
e de fazer uma vida consentânea, entre Paris e os EUA, no seu jato, que usa
como se de um táxi se tratasse, e na qual, segundo a Foreign Policy (FP), não
faltam festas com acompanhantes de luxo, drogas e até tigres. Na Cidade Luz, é
dono de uma mansão de seis andares, na avenue Foch, uma das mais caras da
cidade, e tem automóveis avaliados em mais de 40 milhões de euros.
Na
Califórnia, é proprietário de uma mansão em Malibu e tem como vizinhos Mel
Gibson e Britney Spears. Mas esta não é uma mansão qualquer, mesmo para os
padrões locais: são 1 400 m2 de construção, com oito casas de banho e um número
igual de lareiras, piscina com vista para o Pacífico, campo de ténis e de golfe
- e há 36 carros de luxo na garagem (sete Ferraris, cinco Bentley, quatro Rolls
Royce's; dois Maybach...). O príncipe faz questão de pôr todo o pessoal
(jardineiros, seguranças, criados) em fila, quando chega e quando parte deste
seu "palácio".
O
seu antigo motorista, Benito Gialcone, conta que ele pedia os carros de forma a
condizerem com a indumentária: "Estou de sapatos azuis, traz-me o Rolls
azul"). Certa vez, no Hermitage, fê-lo regressar de táxi à mansão, pois,
quando verificou que as pessoas paravam para admirar o seu Bugatti Veyron, quis
que fosse buscar o segundo, para que os visitantes do museu soubessem que tinha
dois. Trata-se, diz um diplomata americano à FP, "de um idiota imprudente
e instável". Mas um com o qual os EUA - e Portugal - terão de lidar, num
futuro próximo.
Direitos
Humanos: Uma das piores ditaduras de áfrica
Prisões
arbitrárias, execuções extrajudiciais, tortura, ausência de liberdade de
expressão e de associação. Ausência de tribunais independentes e de Estado de
direito, corrupção oficial generalizada. Eleições fraudulentas, restrições à
existência de partidos políticos. Violência e discriminação contra crianças,
mulheres, gays e pessoas com HIV. Estas são, para o Departamento de Estado dos
EUA, algumas das características da Guiné Equatorial.
Ler mais: http://visao.sapo.pt/guine-equatorial-que-pais-e-este=f789919#ixzz38QQDnyJv

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